Resumo rápido
- Rejeição significa que a SEFAZ recusou o XML: a nota não foi autorizada e não tem validade até ser corrigida e reenviada.
- Nem todo código de retorno é erro: 100 e 150 indicam autorização, 103 e 105 indicam lote recebido ou em processamento.
- Duplicidade (204 e 539) pede consulta pela chave antes de qualquer reenvio, para não gerar numeração em dobro.
- A maioria das rejeições vem de cadastro do assinante, totais que não fecham, tributação incoerente ou certificado.
- Confira sempre a tabela oficial de códigos no MOC da NFCom, publicada no Portal NFCom.
Uma NFCom rejeitada é uma nota fiscal modelo 62 que a SEFAZ (ou o ambiente autorizador da SVRS) recusou durante a validação. O XML chegou, foi analisado e voltou com um código e um motivo. Enquanto não for corrigida e reenviada com sucesso, essa nota não tem validade jurídica: não pode ser entregue ao assinante como documento fiscal nem escriturada.
A boa notícia é que a rejeição acontece antes de o documento existir, então não há nada para cancelar. O trabalho é identificar a causa pelo código e pelo texto do retorno, corrigir o dado na origem (cadastro, tributação, totais ou certificado) e retransmitir. Este guia mostra os códigos de retorno que aparecem com mais frequência na rotina de um provedor e organiza as rejeições pela causa, que é o que realmente orienta a correção.
NFCom rejeitada, autorizada ou em processamento: o que diferencia cada retorno
Todo envio de NFCom recebe uma resposta do autorizador. Essa resposta traz um código numérico (cStat) e uma descrição (xMotivo). Os códigos seguem o padrão dos documentos fiscais eletrônicos (DF-e), mas a lista completa e atualizada é a do Manual de Orientação do Contribuinte (MOC) da NFCom, publicada no Portal NFCom. Em caso de dúvida, é essa tabela que vale.
Na prática, os retornos caem em quatro grupos:
- Autorização: a nota passou a existir e já pode ser entregue.
- Processamento: o lote foi recebido, mas o resultado ainda não saiu.
- Indisponibilidade: o serviço está parado ou recusou requisições em excesso; o problema não está na nota.
- Rejeição: a nota tem um problema de schema, assinatura, cadastro, cálculo ou regra de negócio e precisa ser corrigida.
Códigos de NFCom rejeitada e demais retornos mais comuns
A tabela abaixo reúne os códigos que um emissor de NFCom precisa tratar no dia a dia. As descrições são resumidas de forma conservadora; o texto oficial está no MOC.
| Código | Significado | O que fazer |
|---|---|---|
| 100 | Autorizado o uso da NFCom. | Guardar o XML autorizado com o protocolo e entregar DANFE-COM e XML ao assinante. |
| 150 | Autorizado o uso, fora de prazo. | A nota é válida. Verifique por que a transmissão atrasou e ajuste a rotina para evitar recorrência. |
| 135 / 155 | Evento registrado (por exemplo, cancelamento homologado). | Atualizar o status da nota no sistema e guardar o XML do evento junto ao da nota. |
| 204 | Duplicidade: já existe nota com os mesmos dados. | Consultar a nota pela chave de acesso antes de reenviar. Se já estiver autorizada, recuperar o protocolo em vez de emitir de novo. |
| 539 | Também indica duplicidade: já há nota registrada para aquela numeração (o detalhe está no xMotivo). | Mesma conduta: consultar pela chave, identificar qual versão foi aceita e não reutilizar o número com outro conteúdo. |
| 217 | O documento não consta na base da SEFAZ. | A nota não foi autorizada (ou a chave consultada está errada). Conferir a chave e, se for o caso, transmitir a nota. |
| 103 | Lote recebido com sucesso. | Aguardar o processamento e consultar o resultado; não reenviar o mesmo lote. |
| 105 | Lote em processamento. | Consultar novamente depois de um intervalo, sem retransmitir. |
| 108 | Serviço paralisado momentaneamente. | Manter as notas pendentes e tentar de novo quando o serviço voltar. |
| 109 | Serviço paralisado sem previsão de retorno. | Acompanhar o status do serviço e os comunicados do Portal NFCom; avaliar as regras de contingência com a contabilidade. |
| 678 | Consumo indevido: muitas requisições repetidas. | Parar os reenvios automáticos em sequência, aguardar e só então retomar, corrigindo o que gerou a repetição. |
Por que não listamos todos os números de rejeição
As rejeições por schema, assinatura, destinatário ou totais têm códigos próprios, que podem mudar com novas notas técnicas. Em vez de reproduzir uma lista que envelhece, as seções abaixo descrevem a causa e a correção. Para o número exato, use o xMotivo retornado e a tabela vigente do MOC.
Rejeições por erro de schema ou estrutura do XML
Diagnóstico: o XML não obedece ao XSD da NFCom (layout versão 1.00, namespace http://www.portalfiscal.inf.br/nfcom). O motivo costuma citar um campo com formato inválido, uma tag fora de ordem ou um grupo obrigatório ausente.
Causas típicas:
- grupos fora da ordem prevista (
ide,emit,dest,assinante,det,total,gFat,infAdic...); - data e hora sem fuso ou em formato diferente de
AAAA-MM-DDThh:mm:ss-03:00; - valores com vírgula, casas decimais a mais ou campos numéricos com máscara;
- caracteres especiais sem escape, espaços no início ou no fim de campos de texto;
- grupo condicional enviado quando não deveria (por exemplo,
gSubem nota normal) ou omitido quando é exigido.
Correção: valide o XML contra o XSD antes de transmitir e corrija o gerador, não a nota individual. Se o erro aparece em várias notas, a origem é quase sempre uma regra de montagem, e não um dado isolado do assinante.
Rejeições por assinatura digital e certificado
Diagnóstico: o autorizador não conseguiu validar a assinatura ou o certificado usado na conexão e na assinatura do XML.
- certificado vencido, revogado ou fora da cadeia ICP-Brasil;
- certificado de um CNPJ diferente do emitente informado na nota (atenção a matriz e filial);
- XML alterado depois de assinado (qualquer mudança, até um espaço, invalida a assinatura);
- token ou cartão A3 desconectado, senha incorreta ou driver ausente no servidor que transmite.
Correção: confira validade e CNPJ do certificado A1 ou A3, gere e assine o XML de novo a partir dos dados corrigidos e mantenha um alerta de vencimento. Nunca edite manualmente um XML já assinado.
Rejeições por cadastro do destinatário e do assinante
É a causa mais frequente em provedores, porque o cadastro vem do sistema de gestão e foi montado, muitas vezes, antes da NFCom.
Diagnóstico: o retorno aponta CPF ou CNPJ inválido, inscrição estadual inconsistente, código de município que não corresponde à UF, CEP ou endereço incompleto, ou dados do grupo assinante incoerentes.
- CPF/CNPJ com dígito verificador errado ou preenchido com zeros;
- contribuinte com inscrição estadual informada de forma incompatível com o indicador do destinatário;
- código IBGE do município ausente ou de outra UF;
tpAssinanteoutpServUtilque não combinam com o serviço faturado;- datas de contrato (
dContratoIni,dContratoFim) incoerentes.
Correção: corrija no cadastro de origem, não só na nota, para que o erro não volte na próxima competência. Uma pré-validação de CPF/CNPJ e município antes do fechamento elimina boa parte das rejeições do mês.
Rejeições por totais e cálculos
Diagnóstico: os valores do grupo total não batem com a soma dos itens, ou o imposto calculado não corresponde à base e à alíquota informadas.
vProdtotal diferente da soma dosvProddos itens;vNFque não fecha com produtos, descontos, outros valores e retenções;- base de cálculo ou valor de ICMS, FCP, PIS, COFINS, FUST ou FUNTTEL com arredondamento diferente entre item e total;
- desconto (
vDesc) maior que o valor do item; - totais de IBS/CBS ausentes ou incoerentes quando os grupos da reforma tributária são informados.
Correção: calcule por item, arredonde por item e só depois some os totais. Se o sistema de gestão manda o total pronto, confira se ele é a soma exata dos itens enviados.
Rejeições por cClass, CFOP e CST incoerentes
Diagnóstico: a combinação de classificação do item, natureza da prestação e situação tributária não é aceita pelas regras de validação.
- CFOP interno (5.30x) em prestação para outra UF, ou interestadual (6.30x) dentro do estado;
- CFOP de contribuinte para assinante pessoa física, quando o comum é o 5.307/6.307 (não contribuinte);
- CST tributado sem base ou alíquota, ou item sem ICMS sem o indicador
indSemCST; - cClass de serviço não medido usado com unidade de medida ou quantidade de serviço medido, e vice-versa.
Correção: monte uma matriz por tipo de serviço (SCM, SVA, instalação, equipamento, multa e juros) com cClass, CFOP e CST validados pela contabilidade. Os detalhes estão em CFOP da NFCom para provedor e CST na NFCom para provedor.
Numeração e duplicidade
Diagnóstico: retornos 204 ou 539 indicam que o autorizador já tem uma nota com aquele número, série e emitente. Isso acontece quando uma transmissão foi aceita, mas a resposta se perdeu (queda de conexão, timeout), e o sistema tentou de novo.
Correção:
- Consulte pela chave de acesso antes de qualquer reenvio.
- Se a nota consta como autorizada, recupere o protocolo e marque-a como autorizada no sistema.
- Se o conteúdo aceito é diferente do que você queria emitir, trate como nota autorizada com erro: cancelamento no prazo ou substituição, conforme como cancelar NFCom.
- Nunca reaproveite o número com outro conteúdo e nunca gere um novo número para a mesma fatura sem antes confirmar o status da anterior.
Ambiente indisponível e consumo indevido
Diagnóstico: retornos 108 ou 109, timeouts ou erro de conexão indicam que o problema está no serviço, não na nota. Já o 678 aparece quando o mesmo emissor dispara requisições repetidas em excesso, normalmente um laço de reenvio.
Correção: não altere o XML. Mantenha as notas como pendentes, consulte o serviço de status do autorizador (SVRS para a maioria das UFs; MG, MS e MT têm ambiente próprio) e retome o envio quando ele normalizar, com intervalo entre as tentativas. Veja o que fazer em quedas prolongadas em NFCom em contingência.
Checklist para evitar NFCom rejeitada
- Certificado A1 ou A3 válido, do CNPJ emitente correto, com alerta de vencimento.
- Cadastro de assinantes com CPF/CNPJ, município (código IBGE), CEP e endereço conferidos antes do fechamento.
- Matriz de cClass, CFOP e CST por tipo de serviço, aprovada pela contabilidade.
- Cálculo e arredondamento por item, com totais derivados da soma dos itens.
- Validação do XML contra o XSD vigente antes da transmissão.
- Consulta pela chave antes de qualquer reenvio de nota com status incerto.
- Reenvio com intervalo, sem laços automáticos que gerem consumo indevido.
- Acompanhamento das notas técnicas publicadas no Portal NFCom.
Como o emissor ajuda a tratar rejeições
A regra fiscal é a mesma para todos; o que muda de um emissor para outro é o esforço de tratar as exceções. No SyncNFe, a emissão em lote roda em fila por empresa, em segundo plano, e o resultado de cada nota aparece em um painel de status com autorizadas, rejeitadas e pendentes. O motivo da rejeição fica visível na própria nota, o que permite corrigir o cadastro ou a configuração e reenviar só o que falhou, sem reprocessar o lote inteiro.
Falhas transitórias, como indisponibilidade do autorizador, não exigem ação manual: a nota fica pendente e é retransmitida automaticamente quando o serviço volta. Se você quer ver esse fluxo com os seus dados, conheça o emissor de NFCom ou faça um teste grátis. Para a visão geral de toda a rotina, volte ao guia completo de NFCom.
Conteúdo informativo. Regras de tributação, CFOP, CST e prazos variam por UF e mudam com novas notas técnicas; valide o enquadramento da sua operação com a contabilidade e a SEFAZ competente. Base normativa: Ajuste SINIEF 7/22 e Portal da NFCom (SVRS).