Resumo rápido
- Antes de emitir, o provedor precisa estar habilitado na SEFAZ da UF, ter certificado digital ICP-Brasil (A1 ou A3) e cadastros de emitente, assinantes e serviços consistentes.
- Cada serviço da fatura precisa de cClass (7 dígitos), CFOP e CST coerentes; é aí que nasce a maioria das rejeições.
- O fluxo é sempre o mesmo: gerar o XML, validar, assinar, transmitir, ler o retorno e entregar DANFE-COM e XML ao assinante.
- Teste tudo em homologação (tpAmb=2) antes de ir para produção.
- Em volume, o caminho é emitir em lote a partir do faturamento, com painel de status e reenvio automático.
Para emitir NFCom modelo 62, o provedor precisa de quatro coisas: estar habilitado como emissor na SEFAZ da sua UF, ter um certificado digital ICP-Brasil (A1 ou A3) do CNPJ emitente, manter cadastros corretos de empresa, assinantes e serviços, e usar um emissor que gere o XML no layout 1.00, assine, transmita ao autorizador e trate o retorno. Com a nota autorizada, basta entregar o DANFE-COM e o XML ao assinante.
O ciclo em si tem sete etapas: cadastrar os serviços (cClass, CFOP e CST), gerar a nota, validar, assinar, transmitir à SEFAZ, ler o retorno e entregar o documento. Abaixo está cada uma, com os cuidados que evitam retrabalho. Se você ainda está entendendo o que é a NFCom, comece pelo guia completo de NFCom.
O que você precisa antes de emitir NFCom modelo 62
A maior parte dos problemas da primeira emissão não está no XML, e sim no que vem antes dele. Confira os pré-requisitos:
| Pré-requisito | O que verificar |
|---|---|
| Habilitação na SEFAZ | O CNPJ e a inscrição estadual precisam estar habilitados para emitir NFCom. O procedimento é definido por cada UF; confira no portal da SEFAZ do seu estado. |
| Certificado digital | Certificado ICP-Brasil do CNPJ emitente, tipo A1 (arquivo) ou A3 (token ou cartão), dentro da validade. |
| Cadastro do emitente | Razão social, CNPJ, inscrição estadual, endereço e município iguais aos registrados na SEFAZ. |
| Cadastro dos assinantes | CPF ou CNPJ válido, endereço completo, município, código do assinante, tipo de assinante, tipo de serviço utilizado e dados do contrato. |
| Cadastro dos serviços | Cada item faturável com cClass, CFOP, CST do ICMS, CST de PIS/COFINS e unidade de medida. |
O grupo assinante merece atenção especial, porque não existia com esse formato nos modelos 21 e 22. Ele traz o código do assinante (iCodAssinante), o tipo de assinante (tpAssinante: comercial, industrial, residencial/pessoa física, produtor rural, entre outros), o tipo de serviço utilizado (tpServUtil, em que o provimento de acesso à internet é o código 4 e a comunicação multimídia é o 5) e os dados do contrato (nContrato, dContratoIni e dContratoFim). A tabela oficial de cada campo está no Manual de Orientação do Contribuinte (MOC) da NFCom.
Passo 1: cadastre os serviços com cClass, CFOP e CST
Cada linha da fatura vira um item (det) da NFCom, e cada item precisa de três classificações que conversem entre si.
cClass: a classificação do item
O cClass é um código de 7 dígitos que identifica o que está sendo cobrado. A tabela oficial é publicada no Portal NFCom (SVRS) e atualizada por notas técnicas. Os códigos mais usados por provedores de internet são:
| cClass | Uso típico no ISP |
|---|---|
0100401 | Assinatura de comunicação multimídia (SCM) |
0100201 | Assinatura de comunicação de dados |
0400401 | Serviço não medido: provimento de acesso à internet |
0400501 | Serviço não medido: multimídia |
0600501 | Instalação e visita técnica |
0600601 | Outros serviços de valor adicionado (SVA) |
0800301 / 0800601 | Modem / roteador |
1000301 / 1000401 | Juros de mora / multa de mora |
CFOP: a natureza da prestação
Na NFCom, os CFOPs ficam no grupo 5.30x (dentro da UF) e 6.30x (para outra UF). Para assinante pessoa física, o mais comum é 5.307/6.307 (prestação a não contribuinte). Para empresas, o CFOP depende da atividade do tomador: estabelecimento industrial, comercial, produtor rural e assim por diante. O detalhamento está no artigo sobre CFOP da NFCom para provedor.
CST: a situação tributária
O ICMS de cada item vai em um grupo próprio: ICMS00 (tributado integralmente), ICMS20 (com redução de base), ICMS40 (CST 40 e 41, isento ou não tributado), ICMS51, ICMS90 (outros) ou ICMSSN para o Simples Nacional. Item sem ICMS usa indSemCST=1. PIS e COFINS têm CST próprios; no emissor da SyncNFe são aceitos 01, 02, 06, 07, 08, 09 e 49. Veja como escolher em CST da NFCom para provedor.
Valide com a contabilidade
CFOP, CST, alíquotas e benefícios dependem da operação e da UF. SVA, por exemplo, não é serviço de comunicação para fins de ICMS e não deve ser tributado como SCM. Configure o cadastro de serviços uma vez, com o contador, e reutilize em todas as faturas.
Passo 2: gere a nota com os dados da fatura
Com os cadastros prontos, a geração é a montagem do XML. A estrutura segue sempre a mesma ordem: identificação (ide), emitente, destinatário, assinante, itens, totais, fatura (gFat), informações adicionais e responsável técnico, seguidos do QR Code e da assinatura. Na identificação, os pontos que mais importam no dia a dia são:
mod= 62,serieenNF(número sequencial da série);cNF, um código numérico aleatório de 8 dígitos que compõe a chave;dhEmino formatoAAAA-MM-DDThh:mm:ss-03:00;tpAmb= 2 em homologação e 1 em produção;finNFCom= 0 para nota normal (3 é substituição e 4 é ajuste);tpFat= 0 para faturamento normal (1 centralizado, 2 cofaturamento).
Uma NFCom simplificada tem este esqueleto:
<NFCom xmlns="http://www.portalfiscal.inf.br/nfcom">
<infNFCom versao="1.00" Id="NFCom{chave de 44 dígitos}">
<ide>...</ide>
<emit>...</emit>
<dest>...</dest>
<assinante>...</assinante>
<det nItem="1">...</det>
<total>...</total>
<gFat>...</gFat>
<infAdic>...</infAdic>
</infNFCom>
<infNFComSupl><qrCodNFCom>...</qrCodNFCom></infNFComSupl>
<Signature>...</Signature>
</NFCom>
A lista campo a campo está em NFCom modelo 62: campos obrigatórios.
Passo 3: valide antes de transmitir
Transmitir uma nota com erro não custa multa, mas custa tempo: a SEFAZ rejeita, alguém precisa descobrir o motivo, corrigir e reenviar. Uma pré-validação resolve boa parte disso antes do envio:
- Schema: campos obrigatórios presentes, tamanhos e formatos corretos (datas, CEP, códigos).
- Cadastro: CPF/CNPJ com dígito válido, município do assinante preenchido, contrato informado.
- Tributação: CFOP compatível com o tipo de destinatário, CST coerente com a base de cálculo.
- Totais: a soma dos itens precisa bater com o grupo
total(vProd, ICMS, PIS, COFINS, FUST, FUNTTEL, descontos e vNF).
Passo 4: assine com o certificado digital
O XML é assinado com o certificado ICP-Brasil do CNPJ emitente. A assinatura cobre o grupo infNFCom, identificado pelo atributo Id="NFCom{chave}", em que a chave de acesso tem 44 dígitos. Qualquer alteração no conteúdo depois de assinado invalida a assinatura, por isso a assinatura é sempre o último passo antes do envio.
Com certificado A1, o emissor assina automaticamente, o que é o mais prático para emissão em volume. Com A3, o token ou cartão precisa estar acessível no momento da assinatura. Nos dois casos, fique de olho na validade: certificado vencido interrompe a emissão inteira.
Passo 5: transmita ao ambiente autorizador
A NFCom é autorizada pela SVRS para 24 UFs. Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso têm ambiente próprio:
| Autorizador | Estados atendidos |
|---|---|
SVRS (nfcom.svrs.rs.gov.br; homologação em nfcom-homologacao.svrs.rs.gov.br) | 24 UFs |
SEFAZ MG (nfcom.fazenda.mg.gov.br) | Minas Gerais |
SEFAZ MS (nfcom.sefaz.ms.gov.br) | Mato Grosso do Sul |
SEFAZ MT (sefaz.mt.gov.br/nfcom) | Mato Grosso |
Cada autorizador oferece os serviços de Recepção (envio da nota), RecepçãoEvento (cancelamento e outros eventos), Consulta (situação de uma nota pela chave) e StatusServiço (se o ambiente está no ar). Um bom emissor consulta o status antes de enviar lotes grandes e não insiste quando o serviço está indisponível.
Passo 6: leia o retorno da SEFAZ
O retorno diz se a nota passou a existir. Os códigos mais frequentes são:
| Código | Significado | O que fazer |
|---|---|---|
| 100 | Autorizado o uso | Guardar o XML autorizado com o protocolo e seguir para a entrega. |
| 150 | Autorizado fora de prazo | A nota vale; verifique por que foi transmitida tarde. |
| 204 / 539 | Duplicidade | A nota já existe na base. Consulte pela chave antes de reenviar. |
| 108 / 109 | Serviço paralisado | Aguardar o retorno do ambiente e retransmitir. |
| Rejeição | Nota recusada | Corrigir a causa (cadastro, tributação, schema, totais) e reenviar. |
Rejeição significa que o documento não existe: não há nada a cancelar, basta corrigir e transmitir de novo. As causas mais comuns e como resolvê-las estão em NFCom rejeitada: códigos e soluções. Para a lista completa de códigos, a referência é sempre a tabela oficial do MOC.
Passo 7: gere o DANFE-COM e entregue ao assinante
Com a nota autorizada, o emissor gera o DANFE-COM, o documento auxiliar em PDF que acompanha a fatura. Ele traz a chave de acesso e um QR Code que aponta para a consulta pública, no formato https://dfe-portal.svrs.rs.gov.br/NFCom/QRCode?chNFCom={chave}&tpAmb=1 (MG, MS e MT usam URL própria). O DANFE-COM não substitui o XML: o arquivo válido juridicamente é o XML autorizado, que deve ser guardado pelo emitente e pode ser enviado ao assinante.
Na prática, o provedor envia DANFE-COM e XML por e-mail junto com o boleto ou o PIX da fatura, ou disponibiliza os arquivos na central do assinante.
Comece a emitir NFCom em homologação
Antes da primeira nota de produção, emita algumas notas com tpAmb=2 no ambiente de homologação. Use casos reais: um assinante pessoa física, uma empresa, uma fatura com locação de equipamento, uma com juros e multa. Homologação não gera efeito fiscal e mostra, sem risco, se o cadastro de serviços e a tributação estão corretos.
Erros comuns ao emitir NFCom pela primeira vez
- Cadastro de assinante incompleto: endereço sem município ou CPF inválido rejeitam a nota na hora.
- CFOP incompatível com o destinatário: CFOP de contribuinte para pessoa física, ou o contrário.
- SVA tributado como SCM: gera ICMS indevido e distorce os totais.
- Totais que não fecham: arredondamentos por item somados de forma diferente do total da nota.
- Reenvio às cegas: transmitir de novo uma nota que já foi autorizada gera duplicidade. Consulte antes.
Como a SyncNFe cuida desse fluxo
As etapas acima são as mesmas em qualquer emissor; a diferença está em quanto delas é automático. No emissor de NFCom da SyncNFe, o cadastro de serviços com cClass, CFOP e CST é reaproveitado em todas as faturas, a assinatura funciona com certificado A1 ou A3, o DANFE-COM é gerado em PDF e enviado por e-mail automaticamente, e as notas podem ser emitidas uma a uma ou em lote a partir do faturamento, com integração a MKAuth, MikWeb, BeesWeb e MKMAuth. Veja o fluxo de emissão de NFCom em detalhe ou faça um teste grátis com os dados da sua operação.
Conteúdo informativo. Regras de tributação, CFOP, CST e prazos variam por UF e mudam com novas notas técnicas; valide o enquadramento da sua operação com a contabilidade e a SEFAZ competente. Base normativa: Ajuste SINIEF 7/22 e Portal da NFCom (SVRS).