Resumo rápido

  • Sim: a NFCom (modelo 62), instituída pelo Ajuste SINIEF 7/22, substitui a nota fiscal de serviço de comunicação (modelo 21) e a de telecomunicações (modelo 22).
  • A lógica muda de arquivos periódicos do Convênio 115 para autorização online, nota a nota, com XML assinado, chave de 44 dígitos e DANFE-COM.
  • A migração exige certificado digital, habilitação na SEFAZ, cadastro de assinantes completo e serviços classificados com cClass, CFOP e CST.
  • Uma NFCom de substituição pode referenciar uma nota 21 ou 22 antiga, informando série, número, competência e hash115, com o motivo em motSub.
  • Datas e regras de transição variam por UF: confirme com a SEFAZ e com a contabilidade.

Sim, a NFCom substitui a nota 21. A Nota Fiscal Fatura de Serviços de Comunicação Eletrônica, o modelo 62, foi instituída pelo Ajuste SINIEF 7/22 para substituir tanto a Nota Fiscal de Serviço de Comunicação (modelo 21) quanto a Nota Fiscal de Serviço de Telecomunicações (modelo 22). Para provedores de internet, operadoras de telefonia e demais prestadores de serviço de comunicação sujeitos ao ICMS, o documento do dia a dia passa a ser a NFCom.

O que muda não é só o número do modelo. Os modelos 21 e 22 eram escriturados e enviados ao fisco em arquivos periódicos pelo Convênio 115; a NFCom é um XML assinado com certificado digital e autorizado pela SEFAZ antes de chegar ao assinante. Este artigo mostra as diferenças, um checklist de migração e como corrigir uma nota antiga depois que você já está no modelo 62. Para a visão geral, veja o guia completo de NFCom.

A NFCom substitui a nota 21 e a nota 22?

Sim, as duas. O modelo 21 era usado pelos prestadores de serviço de comunicação e o modelo 22 pelos de telecomunicações; muitos provedores emitiam um ou outro conforme o enquadramento da UF. Com a NFCom, os dois cenários convergem em um único documento eletrônico, o modelo 62, com layout nacional (versão 1.00) e o mesmo conjunto de regras de validação em todo o país.

O calendário de obrigatoriedade e as regras de convivência entre os modelos durante a transição foram definidos na legislação e podem ter particularidades em cada UF. Antes de planejar o corte, confirme com a SEFAZ do seu estado e com a contabilidade a partir de quando os modelos 21 e 22 deixam de ser aceitos para a sua operação.

O que muda do Convênio 115 para o modelo 62

No regime do Convênio 115, o provedor emitia as notas, gerava os arquivos mestre, item e de dados cadastrais com o código de autenticação digital (hash) de cada registro e entregava esses arquivos ao fisco depois do período. Eventuais erros só apareciam na validação dos arquivos, semanas depois da cobrança. Na NFCom, a validação é imediata e documento a documento.

AspectoModelos 21 e 22 (Convênio 115)NFCom modelo 62
FormatoNota emitida pelo sistema e registrada em arquivos periódicosXML no layout nacional da NFCom
ValidaçãoPosterior, na entrega dos arquivosPrévia e online: a nota só vale depois de autorizada
IdentificaçãoSérie, número, competência e hash do registroChave de acesso de 44 dígitos e protocolo de autorização
AutenticidadeCódigo de autenticação digital do Convênio 115Assinatura com certificado digital ICP-Brasil (A1 ou A3)
Documento ao assinanteNota impressa ou fatura com os dados fiscaisDANFE-COM com chave e QR Code de consulta
Correção de erroProcedimentos próprios do regime de arquivosEvento de cancelamento, nota de substituição (finNFCom 3) ou de ajuste (finNFCom 4)
Dados do assinanteCadastro no arquivo de dados cadastraisGrupo assinante na própria nota (código, tipo, serviço utilizado e contrato)

O que isso significa na rotina do provedor

  • O erro aparece na hora. Cadastro incompleto, CFOP incoerente ou total que não fecha geram rejeição no envio, não semanas depois.
  • Cada item é classificado. Todo serviço da fatura precisa de cClass (7 dígitos), CFOP e CST. Planos de internet, locação de roteador, instalação, juros e multa deixam de ser só “linhas da fatura”.
  • O certificado digital vira peça crítica. Certificado vencido para a emissão inteira.
  • Os tributos setoriais ficam explícitos. A NFCom tem grupos próprios para PIS, COFINS, FUST e FUNTTEL, além dos campos de IBS e CBS da reforma tributária.

Checklist de migração dos modelos 21 e 22 para a NFCom

Use esta lista como roteiro. A ordem importa: os primeiros itens destravam os seguintes.

  1. Confirme o calendário na sua UF e a data de corte com a contabilidade: a partir de qual competência a operação passa a faturar só em NFCom.
  2. Providencie a habilitação do CNPJ e da inscrição estadual como emissor de NFCom na SEFAZ, conforme o procedimento do estado.
  3. Garanta o certificado digital ICP-Brasil A1 ou A3 do CNPJ emitente, com validade folgada.
  4. Saneie o cadastro de assinantes: CPF/CNPJ válido, endereço completo com município, tipo de assinante, tipo de serviço utilizado e dados do contrato.
  5. Mapeie cada serviço faturado hoje para um cClass, um CFOP e um CST, separando o que é SCM do que é SVA. Veja NFCom para SCM e SVA.
  6. Defina série e numeração da NFCom, independentes da numeração dos modelos antigos.
  7. Teste em homologação (tpAmb=2) com casos reais: pessoa física, empresa, fatura com equipamento, com juros e multa.
  8. Integre o faturamento: o sistema de gestão (MKAuth, MikWeb, BeesWeb, MKMAuth, ERP próprio) precisa alimentar o emissor sem digitação manual.
  9. Ajuste a entrega ao assinante: o DANFE-COM passa a acompanhar o boleto ou o PIX, por e-mail ou na central do assinante.
  10. Guarde o histórico do Convênio 115: arquivos, séries, números e hashes das notas antigas serão necessários se alguma delas precisar ser substituída.
  11. Revise as obrigações acessórias com a contabilidade, como SPED e o arquivo DICI da Anatel, para refletir as notas do modelo 62.

Depois do corte, a emissão mensal segue o fluxo descrito em como emitir NFCom modelo 62.

Nota de substituição: como corrigir uma nota 21 ou 22 antiga já no modelo 62

Uma dúvida frequente na transição é o que fazer quando se descobre um erro em uma nota emitida ainda no modelo 21 ou 22, depois que o provedor já migrou. O layout da NFCom prevê esse caso: a NFCom de substituição (finNFCom=3) pode referenciar tanto outra NFCom quanto uma nota dos modelos 21 e 22.

Os dados do grupo gSub

A nota de substituição traz o grupo gSub, que só existe nesse tipo de nota. Nele vão a identificação do documento substituído e o motivo:

Documento substituídoComo é identificado no gSub
NFCom (modelo 62)Chave de acesso de 44 dígitos da nota substituída
Nota modelo 21 ou 22Série, número, competência de emissão (AAAAMM) e hash115, o código de autenticação do registro no arquivo do Convênio 115

Os motivos de substituição (motSub)

motSubMotivoExemplo no provedor
01Erro de preçoPlano cobrado com valor diferente do contratado.
02Erro cadastralNome, CPF/CNPJ ou endereço do assinante incorretos.
03Decisão judicialOrdem judicial que altera a cobrança.
04Erro de tributaçãoCST ou CFOP errados, SVA tributado como SCM.
05Descontinuidade do serviçoServiço interrompido no período faturado.

Guarde o hash115 das notas antigas

Sem a série, o número, a competência e o hash do registro no arquivo do Convênio 115, não há como referenciar uma nota 21 ou 22 na substituição. Antes de desligar o sistema antigo, exporte e arquive essas informações. A escolha entre substituir, ajustar ou tratar de outra forma depende do caso e deve ser validada com a contabilidade.

Para erros em notas que já nasceram como NFCom, as opções incluem também o evento de cancelamento dentro do prazo legal. As diferenças entre cancelar, substituir e ajustar estão em como cancelar NFCom.

Como virar a chave sem atrasar a fatura do mês

A migração costuma dar errado não por falta de conhecimento técnico, mas por falta de um plano de corte. Uma sequência que funciona bem para provedores:

MomentoO que fazer
Antes do corteHabilitação, certificado, saneamento de cadastro e mapeamento de serviços concluídos. Emissões de teste em homologação com uma amostra real de assinantes.
Última competência nos modelos antigosEmitir, gerar os arquivos do Convênio 115 e arquivar tudo, incluindo séries, números e hashes.
Primeira competência em NFComEmitir em lote, acompanhar autorizadas e rejeitadas no mesmo dia e só liberar a cobrança das notas autorizadas.
Primeiras semanasTratar as rejeições pela causa (cadastro, tributação, totais), não nota a nota, e corrigir o cadastro de origem para a competência seguinte.

Um cuidado extra: não emita a mesma competência nos dois modelos para o mesmo assinante. Defina com a contabilidade qual é a última competência no modelo 21 ou 22 e a primeira no modelo 62, e registre essa decisão para consulta futura. Se o volume for alto, veja como organizar a rotina em como emitir NFCom em lote.

Erros comuns na migração

  • Migrar o cadastro “como está”: o Convênio 115 tolerava inconsistências que a NFCom rejeita na hora. Sanear antes economiza semanas de rejeições.
  • Copiar a tributação antiga sem revisar: a classificação por item (cClass) não existia nos modelos antigos e precisa ser feita com critério.
  • Tratar SVA como serviço de comunicação: o SVA não é serviço de comunicação para fins de ICMS e não deve ser tributado como SCM.
  • Pular a homologação: a primeira competência em produção vira o teste, com o assinante esperando a fatura.
  • Descartar o histórico: sem os dados do Convênio 115, a substituição de notas antigas fica inviável.

Como a SyncNFe ajuda na migração

A regra é a mesma para todos os provedores; o esforço da migração depende do emissor. Na SyncNFe, quem sai dos modelos 21 e 22 encontra cadastro de serviços reutilizável (cClass, CFOP e CST), certificado A1 ou A3, integração com MKAuth, MikWeb, BeesWeb e MKMAuth, emissão em lote com painel de status e envio automático do DANFE-COM por e-mail. Veja como funciona a migração para a NFCom, conheça o emissor de NFCom ou teste grátis com uma competência real em homologação.

Conteúdo informativo. Regras de tributação, CFOP, CST e prazos variam por UF e mudam com novas notas técnicas; valide o enquadramento da sua operação com a contabilidade e a SEFAZ competente. Base normativa: Ajuste SINIEF 7/22 e Portal da NFCom (SVRS).